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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Histórico do Tarô: Documentos, Especulações e Reflexões (Parte 1)


Por Adalberto Ricardo Pessoa

Todos os livros que tratam da história do Tarô destacam o caráter obscuro, vago e controverso de suas origens. Os documentos históricos concretos reportam as origens do Tarô à segunda metade do século XIV, quando teriam sido desenhados ou pintados na Itália, no período renascentista. São referenciados dois baralhos: (1) o Baralho de Carlos VI e (2) o Baralho de Visconti – Sforza (Sharman-Burke & Greene, 1988), entre outros.
Das primeiras cartas de tarô conhecidas e ainda mais antigas – que são, supostamente, as de Jacquemin Gringoneur –  existem apenas dezessete conservadas na Biblioteca Nacional de Paris. Datam de 1392 e foram pintadas pelo artista para a Coroa Francesa. Mesmo os historiadores mais conservadores desconfiam, porém, que as cartas de tarô apareceram bem antes dessa data, porque elas eram proibidas em Florença, Itália, em 1376, pela Igreja Oficial, que as queimou em Praça Pública, depois de condená-las.
O Visconti-Sforza é o baralho completo mais antigo que permaneceu intacto; essas cartas foram pintadas por um artista italiano, Bonifácio Bempo, e autorizado pelo duque de Milão a levarem o nome de sua família. Essas cartas elegantes, algumas das quais podem ser vistas na Biblioteca Pierpont Morgan em Nova Iorque, são pintadas e iluminadas em cores brilhantes sobre um fundo de losangos de ouro sobre vermelho com toques de prata (Nichols, 2007). Há um trabalho moderno (ver imagem abaixo, da carta clássica do Louco no baralho de Visconti-Sforza) de um artista plástico russo chamado A. A. Atanassov, que recuperou produções dessas cartas, em ouro texturizado, disponíveis para comercialização. Essas cartas são produzidas na Itália e estão disponíveis para importação, sendo normalmente compradas por colecionadores de cartas de Tarô, por valores acessíveis.



No âmbito especulativo (para além das provas documentais) a presença de figuras como O Sacerdote ou O Papa e a estética medieval de várias das cartas clássicas ou tradicionais, levou alguns doutos a acreditarem que o tarô seria um oráculo originado na Idade Média Européia. Porém, para os tarólogos ocultistas, o verniz medieval da arte não consegue camuflar com tanta facilidade o fato, de que algumas das imagens não se coadunam com esse simples contexto. Cartas como a Imperatriz e a Sacerdotisa fazem uma referência à Grande Deusa-Mãe, estranha à cultura medieval, enquanto O Carro e a Roda da Fortuna trazem referências artísticas típicas do Egito Antigo. Isso leva esses tarólogos místicos a supor que as raízes do Tarô repousam num passado mais distante, anterior às crenças cristãs transvestidas pelo Renascimento, indo em direção a antigos ensinamentos esotéricos, xamânicos, de mitos pagãos, cabalísticos e egípcios.
Autores mais ousados da tradição hermética saem dos séculos XIV e XV para situarem os primeiros registros ocultos do Tarô por volta de 35 mil anos atrás. Nessa linha encontram-se aqueles que situam a origem do Tarô, primeiro no Antigo Egito, para depois sugerirem que esses símbolos retratam as concepções espirituais de iniciados derivados de um passado ainda mais remoto (da Atlântida e de Mu). Essa versão não é apoiada pelos registros históricos oficiais, e é vista como um exagero pelos tarólogos que seguem escolas mais contemporâneas que abordam o tarô por seus aspectos simbólicos e históricos. Mas, não é, também uma impossibilidade.
A idéia de que o Tarô tenha a sua origem no Antigo Egito, embora não tenha claro apoio documental (histórico), tem certo fundamento quando é feito um estudo comparativo das cartas com temas de Alquimia antiga e Cabala – revelando também alguma influência do povo hebreu, como apontou o filósofo e padre da Igreja Romana, Eliphas Levi. Além disso, o Tarô parece ter relações com a Antiga Arte da Astrologia, que também tem suas origens parcialmente ligadas à cultura Egípcia. Mas, todo esse campo é especulativo e, categoricamente criticado e rejeitado por alguns tarólogos modernos como Naiff (2012).
Voltando ao século XV, a partir dessa época em diante, surgem vários baralhos, sendo o mais conhecido o de “Marselha”, editado modernamente em 1930 por Paul Marteam, com formato e cores mantidos até hoje.
Também no início do século XX, um grupo reconhecido de místicos britânicos denominado The Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada) realizou um trabalho comparativo das cartas de Tarô com outros sistemas espiritualistas – como a Astrologia, Magia Ritual, a Cabala e a Alquimia – e suas correspondências, e dois membros se destacaram: (1) o cabalista Arthur Edward Waite (em conjunto com a artista Pamela Colman Smith) e seu rival controverso e exótico, (2) o magista Aleister Crowley (em conjunto com a artista  Frieda Harris, que desenhou o seu Tarô  ocultista).
Pamela desenhou sob a orientação de Arthur o Tarô de Waite, um dos mais ricamente simbólicos disponíveis no momento, onde são introduzidos (pela primeira vez) personagens humanos nos 56 Arcanos Menores, o que enriquece seus significados. Baseados neste baralho existem outros elaborados artisticamente, que dão novas interpretações para os arcanos menores, mantendo a simbologia dos maiores. Assim, podemos dizer que Waite fez a sua escola. Pamela Colman foi, historicamente, a primeira mulher a desenhar cartas de tarô, no ano de 1910, em Londres, e isso representou um avanço formidável (Kaplan, 1972, p. 65). Para a época Waite foi revolucionário e mudou radicalmente o conceito de tarô ao desenhar seu próprio baralho (abaixo a carta do Louco no baralho de Waite, com suas diferenças do baralho clássico de Marselha e de Visconti-Sforza).



Porém se Waite foi revolucionário, Crowley foi quase surrealista... Na perspectiva do pesquisador e tarólogo Robert Wang, Crowley foi um típico representante da estética “avant garde” no início do século XX, que pregou que o novo e o chocante era, por definição, melhor que o antigo (Wang, 1983, p. 16). Essa idéia constituiu a base de toda a arte, música e literatura moderna, além dos padrões de comportamento da elite artística de Londres, Paris e Nova York das décadas de 20 e 30. E a arte do Tarô de Crowley se enquadra nessa filosofia, pois suas cartas foram elaboradas tendo como padrão o estilo Cubista, que foi o mais importante e avant garde de todos os estilos de arte moderna durante o seu apogeu no início do século XX até a década de trinta.
Assim há uma diferença conceitual entre o baralho de Crowley e os anteriores, mais clássicos e mesmos mais modernos como o de Waite. A Ordem Dourada (1888-1900) foi criada numa filosofia que reverenciava uma idéia de acordo com a sua antiguidade, e assim seus líderes compreendiam que a história da Ordem remontava a um passado distante, recorrendo então, à estrutura ideológica dos deuses do Egito para firmarem a sua posição. Mesmo o aspecto revolucionário de Waite, se limitava a esse formato. Crowley, por sua vez, dizia que uma Nova Era havia chegado e ele se intitulava o profeta desses novos tempos. Seu tarô foi projetado para o que chamamos de A Era de Aquário, e ele rompe com os tarôs classicistas, com mais audácia do que Waite (abaixo o Louco de Crowley, em estilo cubista, rompendo com os tarôs clássicos, como o de Visconti-Sforza, e mesmo com um tarô mais moderno como o de Waite).



Para quem enfatiza o caráter artístico do Tarô, há a possibilidade de se tornar colecionador havendo no mercado diversas representações belas e inspiradoras, muitas produzidas por artistas plásticos.
Há além do clássico de Marselha e o de Waite (baralho “Rider-Waite Tarô Deck”), os Tarôs Temáticos, como o tarô Bíblico, Cósmico, Namour, Divinatório, do Amor, Mitológico, entre tantos outros.
O tarô mitológico foi criado pela psicóloga e astróloga inglesa Liz Greene, em parceria com Juliet Sharman – Burke, e baseia-se numa moderna leitura arquetípica dos mitos gregos, tendo como pano-de-fundo, a teoria psicológica de Carl Gustav Jung empregada na sua interpretação, compreensão e aprofundamento. Esse trabalho recente, de 1988, quase revolucionário e bastante popularizado, destaca-se por ter conseguido aproximar a linguagem fascinante do Tarô aos conceitos da Psicologia Moderna do Inconsciente. É um marco da escola simbolista de Tarô, através do uso de um tarô transcultural (abaixo, o Louco no tarô psicológico e mitológico de Sharman-Burke).



Essa aproximação entre tarô, mitologia, arquétipos, inconsciente e psicologia tem inspirado profissionais de vanguarda a praticarem o que tem sido denominado Tarô Terapêutico, uma proposta bem recente de uso alternativo do tarô, que vai além do seu uso conhecido como oracular ou divinatório. Por ser uma proposta tão nova, ainda não foi assimilada pelo público em geral. Essa forma moderna que combina oráculo e terapia tem sido pesquisada pelo tarólogo Veet Pramad (Pramad, 2008), e já existem desdobramentos dessa técnica entre tarólogos contemporâneos que estão contribuindo para a construção histórica e amadurecimento profissional da tarologia atual. Sobre esse ponto, pretendo voltar em outro texto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


NAIFF, Nei. Tarô – simbologia e ocultismo: estudos completos do tarô – volume 1. Rio de Janeiro: Nova Era, 2012.

PRAMAD, Veet. Curso de Tarô e seu uso terapêutico. 3ª Ed. São Paulo: Madras, 2008.

NICHOLS, Sallie. Jung e o Tarô: Uma jornada arquetípica. São Paulo: Cultrix, 2007.

SHARMAN-BURKE, Juliet; GREENE, Liz. O Tarô Mitológico – Uma nova abordagem para a leitura do Tarô. São Paulo: Siciliano, 1988.

WANG, Robert. O Tarô Cabalístico. São Paulo: Pensamento, 1983.

KAPLAN, Stuart R. Tarô Clássico. São Paulo: Pensamento, 1972


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